Ontem, no final da reunião, uma jovem senhora quis falar comigo a propósito da mensagem. Foi convidada por uma amiga (membro da igreja) e ficou incomodadíssima por me ter ouvido dizer que a salvação é pela graça mediante a fé sem as obras.
Perguntou-me, sem disfarçar o seu incómodo, se eu achava que se tem de ser mau para se ser salvo. Eu lembrei-lhe que há apenas um que é bom, Deus, e que todos os seres humanos são maus.
A senhora não desarmou e fez-me ver que, apesar de todos sermos maus, uns são piores do que outros. Eu perguntei-lhe qual era a forma de ela aferir isso e se não achava que, ao considerar-se melhor que os outros, não estava já a cometer o pecado do orgulho.
Ela compreendeu mas, mesmo assim, insistia na tese de que quem procura fazer o bem, como era o caso dela, Deus deveria levar isso em conta.
Expliquei-lhe que Deus tem apenas um método de salvação. Ele não possui um supermercado com vários métodos à escolha. Não tem um para ricos, um para pobres, um para os mais cultos, um para os menos cultos, um para os bonzinhos e religiosos e outro para quem, aos olhos da sociedade, é manifestamente mau.
Lembrei-lhe as palavras de Paulo: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie”. E as de Pedro: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”.
Lembrei-lhe ainda que, segundo João: “Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigénito Filho de Deus”.
Finalmente lembrei-lhe que somos nós que nos temos que sujeitar às regras de Deus e não Ele às nossas. Ele é soberano e nós somos pecadores.
Aquela senhora, que gosta de ler quis também saber porque é que na Bíblia há tantas descrições de violência e eu respondi-lhe com o exemplo de David. A Bíblia, lembrei-lhe, não apenas contas os seus sucessos; também não esconde que em determinada altura aquele homem escolhido por Deus cometeu adultério e para ocultar o facto mandou assassinar o marido da mulher com que adulterou. Acrescentei que é também por isto que levo a Bíblia a sério.
Depois a jovem senhora quis saber como é que se recebe a Jesus e eu expliquei-lhe o que tinha acontecido comigo. Recordei-lhe João,1:12Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; e Apocalipse 3:20Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo..
Notei que a cada pergunta que eu respondia ela reagia com mais duas ou três. Prometeu voltar e eu prometi que iria orar por ela.
Mas, mais uma vez notei, como é difícil fazer passar a mensagem de que a Salvação tem de ser segundo Deus. Pela graça mediante a fé e sem obras.
Quarta, 31 Março 2010 19:51
José Carlos Oliveira
Já decorreu e, graças ao bom Deus, com o brilho habitual. Em nome da igreja quero, como sempre, agradecer o empenhamento de todos, muito especialmente dos jovens (incluindo a líder Lídia, o Manel, o João Paulo e o Luís). Muito apreciada foi a participação de Paredes e Lousada. Os nossos irmãos estão de parabéns. Alegramo-nos pelo facto de, cremos nós, Deus ter sido glorificado e os muitos amigos que nos visitaram terem ouvido o Evangelho. A Igreja foi também edificada.
A Deus toda a glória
Sábado, 20 Março 2010 11:27
José Carlos Oliveira
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Igreja
Hoje, dia 19 de Março, o mundo comemorou o dia do Pai e eu, apesar de ter perdido o meu com apenas onze anos, lembrei-me mais uma vez dele. Homem de trabalho, de acção; pela defesa da sua família era capaz de quase tudo. Para sustentar os filhos (dos dez nascidos apenas sobreviveriam seis) trabalhava, juntamente com a minha mãe, de sol a sol na lavoura mas dadas as circunstâncias da altura (tinha de cultivar as terras mas a maior parte dos produtos tinha de ser entregue aos donos) cedo verificou que por ali não ia a lado nenhum. Rapidamente enveredou pela profissão de mineiro trabalhando em vários locais do país, sobretudo nas minas da Borralha. As condições de trabalho (nomeadamente ao nível da segurança) eram nenhumas mas mesmo assim era difícil encontrar onde trabalhar.
Certa altura em que deixou de ter trabalho, e depois de ter tentado tudo para encontrar uma alternativa, regressou a casa desanimado e extenuado. Quando à noitinha estava por de trás da casa ouviu os meus irmãos a pedir pão à minha mãe e reparou que ela ignorava os seus pedidos já que o não tinha para lhes dar. Mesmo assim cansado não entrou em casa e, sem dar a conhecer a sua presença, regressou para de onde tinha vindo, andando toda aquela noite por montes e vales, para no dia seguinte voltar a procurar onde trabalhar.
Era um homem alto e corpulento. A sua fama de lutador (nomeadamente no chamado jogo do pau) era reconhecida lá na terra, sendo conhecido por “o da pinta” (por causa de uma mancha vermelha que tinha no rosto). Quando havia barulho as pessoas não chamavam o regedor mas sim o meu Pai. Ele aproximava-se dos zaragateiros e dizia: “Isto é para acabar a bem ou a mal?”. Se eles parassem por ali ele mandava cada um para sua casa e tudo ficava resolvido; se o não fizessem batia em ambos e resolvia-se o assunto dessa forma.
Apesar de ser tão combativo, dificilmente haveria entre os homens alguém que amasse mais a sua família e que se importasse tanto com as necessidades dos outros. Homem respeitado também pela sua honestidade, acabaria por se afastar da igreja católica por causa de uma grande injustiça cometido pelo sacerdote da aldeia que se recusou a entrar com o compasso em minha casa, pela Páscoa, apenas porque o meu Pai não teve dinheiro para pagar o que era devido ao padre. A partir daí deixou de entrar na igreja e, quando a minha mãe rezava o terço em casa com os filhos, ele dormia dizendo que se recusava a “rezar por conta”. Dizia ele que “quem rezava por conta (as contas do rosário) desconfiava de Deus”.
Tinha pouca paciência para quem andasse devagar. Sempre que íamos a algum lado estava sempre a pedir-nos que “deixássemos andar as pernas”. Se me segurava pela mão eu sentia-me seguro, apesar de (literalmente) arrastado. Só me bateu por três vezes e sempre com muita justiça mas ainda hoje me consigo lembrar da sua mão, grande e calejada, a cair-me em cima.
Por causa da vida que teve (trabalhando nas minas sem qualquer máscara) acabaria por morrer aos 56 anos vitimado pelo pó que entretanto se lhe acumulou nos pulmões.
Alguns anos antes de morrer, já bastante doente e com quase todos os filhos a trabalhar no Porto e Matosinhos, lembro-me de o ouvir dizer: “Quando tinha saúde e apetite não tinha o que comer agora que os meus filhos me mandam tanta coisa não tenho saúde nem apetite”.
Entre muitas recordo aqui duas vivas memórias que guardo dele (uma triste e outra alegre) uma têm a haver com as duas vezes em que vi o meu pai chorar. Na primeira as suas lágrimas foram motivadas pelo não comparecimento dos meus irmãos (como estava combinado) a uma ceia de Natal e a segunda quando o meu irmão Alfredo foi para o serviço militar; esta última, explicava o meu pai, teve a haver com o facto do Alfredo ser muito impulsivo e ele achar que, por isso, se ia dar mal por lá.
Quanto à alegre é a lembrança que tenho de uma noite de Natal em que todos os meus irmãos compareceram e ele, sentado no “preguiceiro” (banco de madeira semelhante a um sofá) assistia feliz, com um sorriso de orelha a orelha. Ainda viveu a tempo de ver chegar o telefone lá à aldeia e, quando fez uma visita rápida aos meus irmãos em Matosinhos, chegou a ver televisão a preto e branco. Apesar de não saber ler nem escrever aceitava muito bem o que de moderno ia aparecendo. Só não apreciava muito quando as minhas irmãs vestiam (era a moda da altura) saias travadas que ele chamada de “saias de passareca”.
Que pena que o meu Pai tivesse vivido naquele tempo; que apenas tivesse conhecido um neto e não pudesse acompanhar por algum tempo os melhores momentos da vida dos seus filhos. Que pena que ele não tenha tido a oportunidade de conhecer o Evangelho que, estou certo, ele abraçaria rápidamente.
Mas, acreditem, o seu exemplo ficou e continuo a sentir pela sua memória um enorme respeito e saudade.
Se nos lembrarmos da torre de Babel que a humanidade, em má hora, tentou outrora construir e se tivermos em conta o que podemos ler em Zacarias, 4:10Porque, quem despreza o dia das coisas pequenas? Pois esses sete se alegrarão, vendo o prumo na mão de Zorobabel; esses são os sete olhos do SENHOR, que percorrem por toda a terra. e em Cantares, 2:15Apanhai-me as raposas, as raposinhas, que devastam os vinhedos, porque as nossas vinhas estão em flor. seremos levados a concluir que as coisas pequenas, para o bem e para o mal, não devem ser desprezadas.
Para o mal aquela torre, que por intervenção de Deus não chegou a ser completada, embora grandiosa foi feita a partir de pequenos tijolos. No mesmo sentido o livro de Cantares lembra-nos que as raposas já tinham sido raposinhas; foi de resto dessa forma que conseguiram entrar nas vinhas e isto para que pensemos que, para o mal, são as pequenas coisas que originam as grandes.
Não praticamos sexo indevido (e fazemos bem) mas falamos mal uns dos outros, excluímos aqueles de quem menos gostamos, não perdoamos, não respeitamos as ideias dos outros, somos orgulhosos, semeamos a discórdia e pensamos que tudo isto é menos grave; que são coisas pequenas esquecendo a enormidade que o acumular dessas coisas provoca.
Os israelitas foram convidados por Zacarias a não desprezarem as coisas pequenas. Para o bem tendemos a pensar que o mais importante são as grandes campanhas desvalorizando o testemunho pessoal; envolvemo-nos em grandes projectos espirituais mas esquecemos as iniciativas da igreja local; valorizamos o estar na frente mas desprezamos a preparação espiritual. (verifico isso em muitas igrejas que visito; os jovens chegam ao salão quando já decorre a reunião de Ceia do Senhor, na qual não participam, e quando a porta se abre eles entram, encaminham-se para a frente e pegando dos instrumentos musicais lá estão eles a dirigir o louvor. Nada de se sentarem em oração, nada de se certificarem se estão espiritualmente preparados para a tarefa) participamos em grandes conferências mas desprezamos os momentos a sós com Deus; Estamos tão preocupados com a obra que nos esquecemos dos obreiros, não atentando nos nossos irmãos para procurarmos ser um estímulo para eles. Por isso se eles estão tristes nem reparamos; querem falar connosco mas não temos tempo; faltam às reuniões mas isso não nos incomoda; ficam doentes ou são hospitalizados mas não os visitamos.
Não reconhecemos, e agradecemos, o trabalho de quem nos serve estando, pelo contrário, sempre dispostos a criticar.
Por fim, quando as coisas correm mal na igreja (como poderiam correr bem?) apontamos o dedo em todas as direcções menos na nossa. É bom que não esqueçamos que, para o bem e para o mal, não devemos desprezar as coisas pequenas.
Segunda, 01 Março 2010 17:23
José Carlos Oliveira
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Igreja
Certa companhia de navegação, em reunião de direcção, concluiu que era tempo de começar a modernizar a tripulação do melhor dos seus navios. Abriu por isso concurso para marinheiros exigindo, como habilitações, que tivessem (no mínimo) o 12º ano e, sobretudo, prática em informática.
Não faltaram concorrentes e, por fim, escolheram dois dos candidatos. Eram sem dúvida recomendáveis já que, para além de serem engenheiros, faziam dos computadores “gato-sapato”.
Quando chegaram ao navio aqueles dois marinheiros olharam de soslaio para o resto da tripulação; eram homens rudes que “pontapeavam a gramática” e que dos livros pouco sabiam e dos computadores ainda menos.
Os dois engenheiros novatos achavam-se os maiores e o comandante do navio, também ele pouco experiente e instruído pelas chefias, “estendeu-lhes o tapete vermelho” passando a consultá-los para tudo e a desprezar, de alguma forma, os homens rudes e iletrados.
Era assim que a vida no navio se ia desenrolando até ao dia em que, em determinada zona, foram surpreendidos por uma enorme tempestade. Os ventos fustigavam o navio parecendo vir de todos os lados; as ondas alterosas não davam descanso à embarcação; os relâmpagos e trovões pareciam anunciar o fim trágico daquele precioso navio e sua tripulação.
O comandante, preocupado, bem procurou os dois marinheiros recentemente contratados mas estes, amedrontados, estavam escondidos em local incerto. Foram então chamados alguns dos homens rudes, (os tais que foram olhados de soslaio pelos dois engenheiros e profundos conhecedores de informática) mas “licenciados na universidade da vida e doutorados em como enfrentar tempestades”. Foram estes e não os outros que souberam como agir naquele momento de aflição.
Quando a tempestade amainou os dois novatos apareceram (sabe-se lá vindos de onde) e estenderam a mão para os homens rudes que não regatearam o seu perdão. O próprio comandante foi compelido a reconhecer o seu erro e garantiu que, a partir daquele momento, todos seriam consultados naquele navio quer fossem ou não engenheiros. O mais velho daqueles homens rude não deixou de lembra que as coisas funcionam melhor quando a inovação e a experiência andam de mãos dadas.
Uma lição importante para que se pratique nas igrejas locais.
Quinta, 25 Fevereiro 2010 18:30
José Carlos Oliveira
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Igreja
O antinomianismo, doutrina herética criada em 1537 muito ligada com o gnosticismo, defende que desde que o crente tenha as crenças correctas a forma como vive é irrelevante. Obviamente que todo o cristão consciente condenará, de forma radical, tal heresia.
Foi por isso com estupefacção que descobri, através de um pequeno livro (Caminhos para o Poder) que me foi enviado pelo Núcleo, que o consagrado escritor e teólogo A.W.Tozer comparava (de alguma forma) todos os que dizendo que a salvação é apenas pela graça mediante a fé e que as obras não têm lugar na salvação, (sendo que o pecado ficou resolvido na cruz) aos que fazem tal afirmação herética.
Ora tal não faz sentido.
Eu sou daqueles que acredito desta forma. Baseio-me, de resto, em Efésios 2:8,9 embora seja daqueles que não desconhece a existência do verso 10 (Fomos criados para as boas obras).
Mas vamos por partes:
A salvação de cada ser humano é conseguida pela fé na obra que, pela graça de Deus, o Senhor Jesus Cristo realizou na cruz. Quando eu reconheço os meus pecados e abro o meu coração para Jesus, reconhecendo-o e recebendo-o como Senhor e Salvador, passo da condição de perdido para a de salvo; da condição de morto em delitos e pecados para a de vivo em Cristo; das trevas para a maravilhosa luz de Cristo.
Essa posição permanece PARA SEMPRE sem que eu tenha feito qualquer outra obra para além de crer em Jesus Cristo. O problema do pecado, que me condenava eternamente, ficou resolvido na cruz.
Agora que sou salvo PARA SEMPRE; agora que recebi de Deus uma nova natureza, é natural que eu passe, de forma gradual, a corresponder (em acções) à nova posição espiritual que possuo. É natural que o pecado passe a ser, na minha vida, acidental e não prática constante.
Contudo a verdade é que ainda falho. É facto que ainda não sou perfeito. É indesmentível que ainda peco. Será que, por causa disso, devo por em dúvida a minha salvação? Será que me devo conformar com o ensino daqueles evangélicos (ao que parece A.W.Tozer incluído) que para ser salvo devo, para além de crer em Cristo, ser firme e fiel até à morte?
Se assim fosse então eu devo duvidar das afirmações de Paulo em Efésios 2:8,9 e desconfiar do que é afirmado em Romanos capítulo 8 ou mesmo não levar muito a sério o que Jesus afirmou em João 10:27,28. Se isso fosse verdade então eu deveria descrer de algumas grandes afirmações saídas da reforma protestante: “Somente a Bíblia; somente Cristo, somente a Graça; somente a Fé”.
É que se eu tiver, para ser salvo, de depender também da minha firmeza de fé e fidelidade, então a salvação também é por obras e, nesta parte, o catolicismo está certo.
Nisso, que me desculpe a memória de Tozer, não creio.
Eu sei que devo fazer boas obras; sei que a vontade de Deus para a minha vida é que eu seja santo e não viva em pecado; sei que devo ser firme na fé e que devo ao meu Salvador e Senhor total fidelidade, mas não para ser salvo e sim porque já estou salvo. Crer desta forma não é, de forma alguma, ser antinomiano.
Outra questão abordada pelo famoso teólogo, claro, é a questão do Espírito Santo. E lá vem a ideia gasta de que precisamos de consecutivos derramamentos do Espírito Santo sobre a igreja e sobre cada crente individualmente. Confunde o reputado teólogo duas coisas, quanto a mim, distintas: o encher-se com o Espírito com o derramar do Espírito.
No primeiro caso, creio eu, é algo que a igreja (e cada crente) precisa fazer diariamente mas no segundo, penso eu, foi um acontecimento que já teve lugar e não há motivo para que se repita.
Convém lembrar que A.W. Tozer, como outros grandes homens de Deus, não é um homem inspirado mas apenas um homem iluminado. O que eles defendem baseia-se na sua interpretação daquilo que homens inspirados por Deus, outrora, escreveram.
Os inspirados estão sempre certos os iluminados nem sempre. Somos obrigados a aceitar sem questionar os primeiros mas não os segundos. Estes últimos devem apenas ser respeitados nas opiniões que tiveram, tenham ou venham a ter.
Sábado, 20 Fevereiro 2010 15:24
José Carlos Oliveira
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Há algum tempo, em determinado lugar, numa igreja evangélica, existiu um irmão de nome Sebastião. Não sabia ler nem escrever; nunca subiu ao púlpito para dirigir a reunião ou pregar; nunca ninguém o ouviu a orar de forma audível e estava sempre mais disposto a ouvir do que a falar. Apesar disso nunca faltava a uma reunião.
Na igreja poucos davam por ele. Como residia por perto e dado que a sua honestidade era bem patente, foi-lhe dada a chave do salão e sugerido que ele cumprisse três tarefas: abrir, atempadamente a porta; ligar, de Inverno, o aquecimento um pouco antes da reunião ter início e abrir as janelas durante o verão para que o ar fresco entrasse; distribuísse (recolhendo-os no fim) os hinários, tarefas que ele sempre cumpriu sem falhar.
Apesar disso poucos eram, na igreja, os que davam pela existência do irmão Sebastião. Até que ele ficou doente vindo a falecer.
As pessoas começaram a chegar às reuniões e a porta ainda estava fechada; quando, por fim, chegava um dos responsáveis com chave e abria a porta (no verão) estava um ar abafado porque ninguém tinha aberto as janelas; No Inverno a salão estava sempre gelado e o aquecimento acabava por só aquecer o espaço quando a reunião estava prestes a terminar; não havia hinários nos lugares como habitualmente.
Nesta altura todos notaram a falta do irmão Sebastião mas não lhe poderiam dizer o quanto ele era útil para a congregação porque ele já tinha partido para o Senhor a quem, na sua humildade e simplicidade, sempre procurou servir.
É trágico que isto se possa passar, ainda hoje, nas nossas congregações. É triste que os crentes não obedeçam à Palavra quando ela nos ensina a reconhecer e a honrar os que nos servem. É lamentável que só possamos dar pela falta do serviço de nossos irmãos quando esse serviço deixa de existir.
Na tua congregação passa a olhar ao redor e reconhece aqueles que, mesmo que em tarefas simples, te estão a servir. Fala com eles e elogia-lhes esse trabalho. Lembra-te que nenhuma igreja local poderá existir se depender apenas dos que dirigem, pregam ou cantam.
Não esperes que os que te servem morram para depois dizeres: “Como era útil aquele irmão ou irmã”. Nessa altura ele ou ela já não ouvirão.
Lembra-te da história, verídica, do irmão Sebastião.
Sábado, 13 Fevereiro 2010 17:37
José Carlos Oliveira
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Embora pareça uma “verdade de La Palice” nunca deve deixar de referir-se que na obra de Deus não há lugar para o individualismo apesar de, por vezes, todos termos tendência para tentar que haja.
A igreja (local) compõe-se de, pelo menos, dois ou três e isso anula de imediato que haja lugar para que cada um dos membros se considere merecedor de toda a atenção em detrimento dos outros. Essa tendência, mesmo que disfarçada de puro desejo de fazer a obra avançar, recebe sempre o seu “balde de água fria” quando é lembrado que, na igreja, cada um deve considerar os outros superiores a si mesmo.
Na prática a tendência para nos tornarmos individualistas manifesta-se em querermos ser mais ouvidos do que ouvir os outros; em acharmos que a nossa ideia deve ser sempre preferida; em achar que a nossa razão é sempre a mais razoável; em estranharmos que as pessoas não vivam de acordo com a nossa maneira de pensar; em ficar amuados e fazer birra quando estes (e outros) pressupostos não são tidos em conta.
Ao agirmos assim, desgraçadamente, não nos apercebemos do mal que estamos a fazer à obra que tanto dizemos desejar proteger.
É tempo de acordarmos desse sono egoísta e deixarmos de nos “concentrar na árvore perdendo de vista a floresta”. De nos cingirmos à nossa insignificância (somos apenas pecadores perdoados pela Graça de Deus) e de nos escondermos atrás da cruz de Cristo.
É urgente que TODOS os membros das igrejas locais entendam que o centro de suas vidas pertence a Cristo e não a eles mesmos.
É imperativo que quem assim não proceda seja, com amor, admoestado e não entronizado nos púlpitos de onde, de resto, procurarão instilar nos outros o veneno do individualismo “dando á luz” discípulos também eles capazes de continuarem nessa trágica cruzada.
É que, como alguém disse, para que o mal avance é apenas necessário que quem o reconhece se cale.
Sábado, 30 Janeiro 2010 16:42
José Carlos Oliveira
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Todos sabemos que, recentemente, o nosso irmão Armindo Costa perdeu, num estúpido acidente de atropelamento, a sua esposa Perpétua. Como se calcula foram (e são ainda) momentos difíceis de suportar. É claro que atenua saber-se que ela está com o Senhor mas não é menos verdade que não está connosco. Não está, sobretudo, com o Armindo, com a mãe e com os filhos. A alegria que ela desfruta já (e a que, pela fé, nos invade) contrasta com a tristeza pela separação, até porque o Armindo e a Perpétua estavam casados há mais de 30 anos(eu fui ao casamento e celebrei as suas bodas de prata) e andavam sempre juntos, tornando a separação ainda mais evidente.
É por tudo isso digno de nota que, apesar de todo o sofrimento, o nosso irmão Armindo anunciou na sua igreja local (no passado Domingo) que já estava em contacto com a senhora que prestou à Perpétua os primeiros cuidados mas também com o homem que a atropelou. E, fez questão de ressalvar, não para retaliar mas sim para lhe oferecer uma Bíblia porque, lembrou, ele também deve estar a sofrer. Pediu depois à igreja orações por esse homem...
Sentado no meu lugar não pude impedir que, por breves momentos, as lágrimas me ofuscassem a visão passando a olhar para aquele rapaz, que conheço há tantos anos, ainda com mais admiração.
Chama-se a isto transformar uma tragédia numa oportunidade.
Que Deus possa abençoar este esforço são as minhas orações.
A Aliança Evangélica Mundial (WEA), um dos patronos do Desafio MIQUEIAS, lançou um apelo à comunidade de 420 milhões de cristãos espalhados por 130 nações para que se envolvam em oração e ajuda financeira com o povo do Haiti. O Dr Tunnicliffe, Director Internacional da WEA, fez um apelo ao coração dos cristãos
Continuar...
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