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Transformando uma tragédia numa oportunidade

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Todos sabemos que, recentemente, o nosso irmão Armindo Costa perdeu, num estúpido acidente de atropelamento, a sua esposa Perpétua. Como se calcula foram (e são ainda) momentos difíceis de suportar. É claro que atenua saber-se que ela está com o Senhor mas não é menos verdade que não está connosco. Não está, sobretudo, com o Armindo, com a mãe e com os filhos. A alegria que ela desfruta já (e a que, pela fé, nos invade) contrasta com a tristeza pela separação, até porque o Armindo e a Perpétua estavam casados há mais de 30 anos(eu fui ao casamento e celebrei as suas bodas de prata) e andavam sempre juntos, tornando a separação ainda mais evidente.

É por tudo isso digno de nota que, apesar de todo o sofrimento, o nosso irmão Armindo anunciou na sua igreja local (no passado Domingo) que já estava em contacto com a senhora que prestou à Perpétua os primeiros cuidados mas também com o homem que a atropelou. E, fez questão de ressalvar, não para retaliar mas sim para lhe oferecer uma Bíblia porque, lembrou, ele também deve estar a sofrer. Pediu depois à igreja orações por esse homem...

Sentado no meu lugar não pude impedir que, por breves momentos, as lágrimas me ofuscassem a visão passando a olhar para aquele rapaz, que conheço há tantos anos, ainda com mais admiração.

Chama-se a isto transformar uma tragédia numa oportunidade.

Que Deus possa abençoar este esforço são as minhas orações.

 

SOS HAITI - APELO A TODOS CRISTÃOS

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A Aliança Evangélica Mundial (WEA), um dos patronos do Desafio MIQUEIAS, lançou um apelo à comunidade de 420 milhões de cristãos espalhados por 130 nações para que se envolvam em oração e ajuda financeira com o povo do Haiti. O Dr Tunnicliffe, Director Internacional da WEA, fez um apelo ao coração dos cristãos

"por favor orem para que os cristãos e as igrejas locais se coloquem na linha da frente para darem uma resposta espiritual, emocional e física às necessidades das centenas de milhares de pessoas. Queremos também incentivar-vos a contribuir generosamente e a apoiar os membros da Aliança Evangélica Mundial que estão activamente envolvidos na resposta à crise no Haiti”.

Algumas organizações da Rede MIQUEIAS, incluindo a Tearfund e a World Vision, estão na linha da frente a distribuir kits de comida, sabão, roupas, água engarrafada e a prestar cuidados médicos aos sobreviventes. O Exército de Salvação também está a montar uma operação em grande escala.

Aqui ficam alguns motivos de oração e a sugestão de que este Domingo seja aproveitado nas igrejas para se orar por aquele país martirizado.

  • Sabedoria para autoridades locais que parecem estar demasiado sobrecarregadas e foram apanhadas de surpresa e totalmente despreparadas para lidar com uma situação desta natureza.
  • Resposta rápida por parte do Governo e da comunidade internacional na resolução desta situação crítica.
  • A população do Haiti que se encontra a sofrer, para maior conforto para muitos que estão a enterrar os seus mortos.
  • Tratamento adequado para todos aqueles que estão feridos e carecem de assistência médica.
  • Segurança dos parceiros locais e capacidade para lidarem com a perda de pessoas e bens.
  • A igreja no Haiti que possa dar uma resposta de amor, cuidado e esperança para o povo que está nas ruas como ovelhas sem pastor.
  • Tearfund Haiti: como dar graças a Deus pelo milagre da salvação das nossas vidas, como lidar com as nossas perdas e como podemos avaliar as necessidades para responder através dos nossos parceiros.
 

Jantar de reis

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Mesas
Aconteceu na Igreja Evangélica de Leça da Palmeira mais um jantar de reis. E porquê? Porque os membros da Igreja gostam de confraternizar! Mas porque é que o jantar é de reis? Porque, de acordo com a Bíblia, todos quantos já creram em Jesus Cristo são filhos do Rei do universo e um dia vão reinar com Ele...

Ah, pensavam que era em homenagem aos tais reis (magos) que do Oriente vieram, guiados por uma estrela, trazer presentes ao menino Jesus? Bem, também gostamos de os recordar. Afinal, ao contrário do que (na maior parte dos casos) aconteceu em Jerusalém, eles esperavam a vinda do Messias e estavam atentos aos sinais. E depois não vieram a Jesus "de mãos a abanar" ofereceram presentes que, certamente, foram muito úteis para a sobrevivência da família nazarena, nos primeiros anos de vida do Jesus menino.
O quanto podíamos aprender com aqueles magos! Mas, em lugar disso, estamos mais interessados em saber se eram astrónomos; se vieram da China ou do Iraque; se foram guiados pelo cometa Halley ou por outro qualquer astro... como se isso interessasse para alguma coisa.
Estar atentos aos sinais. É isso que devemos aprender com eles. Até porque Jesus vai voltar e precisamos continuar atentos, ao contrário do que aconteceu (naqueles dias) entre os religiosos de Jerusalém.

Bem mas quanto ao jantar teve menos gente que no passado. Será a crise? Seja como for o Manel, como sempre, esmerou-se e organizou tudo de forma a nada faltar a quem quis comparecer.
Sentimos a falta de alguns membros. A verdade é que alguns problemas de saúde, de última hora, originaram ausências e até algumas  saídas apressadas... Mesmo assim valeu a pena!

Esperamos que para o ano possa ser ainda melhor. A todos quantos colaboraram (especialmente ao nosso Manel) o nosso profundo agradecimento.
 

Luz nas trevas

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Árvores

Todos nós passamos por momentos sombrios. Situações que parecem suficientes para nos fazerem esquecer as promessas que Deus nos fez e tenciona cumprir e que, por vezes, parecem abafar as nossas certezas e convicções. Momentos em que a alegria parece escapar como água por entre os nossos dedos e nos quais aquilo que antes fazia sentido se nos afigura como algo tão simplório quanto indigno de qualquer crédito.

Nessas alturas somos semelhantes àqueles que centram a sua atenção nas nuvens escuras, parecendo estar cegos para a luz que, mesmo por entre essa escuridão, continua a brilhar. Afinal o sol brilha sempre com o mesmo esplendor e é muito mais permanente do que as mais densas nuvens.

No domínio espiritual, para o que crê a luz brilha sempre, mesmo que o faça por entre a escuridão.

Os problemas vêem e vão, o Sol da Justiça permanece para sempre.

 

Jesus o rejeitado

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A mais triste declaração no que toca ao Natal (ou nascimento) de Jesus Cristo está em João 1:11: “Veio para o que era seu e os seus não o receberam…”. Muitos se interrogam porque é que Jesus foi rejeitado pelos seus mas, quanto a mim, a resposta não é difícil de dar. Os Judeus, apesar daquilo que as profecias diziam, esperavam por um Messias aparatoso, opulento, poderoso, guerreiro (possuidor de grande exército e poder bélico), rico e vencedor. O Messias idealizado pelos judeus surgiria como um relâmpago e, de uma vez, venceria os romanos libertando a terra prometida do jugo, devolvendo-lhes a soberania e instituindo um reino de paz e prosperidade na terra acabando com a pobreza a que estavam votados, sobretudo, por causa dos pesados impostos que o império romano cobrava.

À vista de Jesus, nascido numa manjedoura, filho de uma família humilde oriunda de um lugarejo obscuro (Nazaré) e de forma pouco transparente (a história de Maria ter aparecido grávida sem que se tivesse relacionado com José a quem estava prometida não deverá ter sido bem digerida) os judeus interrogavam-se como é que aquele “messias”, ajudante de carpinteiro e que nada tinha de seu (nem sequer exército e armas) os poderia livrar.

Quando lembravam a Jesus a questão do reino ele lembrava que o seu reino não era deste mundo. Sempre que sabia que o queriam coroar rei refugiava-se em lugares desertos e ali orava. Quando alguém se dispunha a segui-lo ele lembrava que nada tinha (em termos materiais) para oferecer. A verdade é que Jesus era, em termos materiais, pobre dependendo de apoios, até de mulheres com posses, para poder sobreviver. Nasceu numa manjedoura tomada por empréstimo; quando precisou de um barco teve de o pedir emprestado; quando necessitou de uma montada pediu um jumento emprestado; quando precisou de uma sala para realizar a última ceia com os seus discípulos, teve de a pedir emprestada, morreu uma morte que não era a sua, numa cruz que não lhe pertencia e foi sepultado num túmulo emprestado por José de Arimateia.

Apesar desta pobreza material, que voluntariamente quis assumir, Jesus era rico. Na verdade pobres eram os ricos de seus dias (lembram-se da parábola do homem rico?)

O problema dos judeus, nos dias de Jesus, é semelhante àquele de que enferma a humanidade de nossos dias. Eles pensavam, como nós pensamos, que as nossas maiores necessidades são de origem material: O dinheiro e aquilo que ele pode comprar. É claro que os judeus, naquele tempo, eram religiosos; a maioria dos portugueses também (o nosso país foi considerado o 3º mais religiosos da Europa, só ultrapassado pela Irlanda e por Itália) mas isso não significa que sejamos menos materialistas; que pensemos de forma diferente dos judeus.

Lembram-se da história dos quatro amigos que transportando um paralítico e querendo leva-lo a Jesus, tiveram que abrir um buraco no tecto da casa superlotada onde Jesus estava para, com cordas, o baixarem até Jesus? Temos então um quadro em que os quatro amigos acham que o principal problema do paralítico é ser paralítico. Jesus olha para aquele paralítico e seus quatro amigos e, conhecendo-lhes o pensamento, a primeira coisa que diz é: “Perdoados te são os teus pecados” (Mc. 2:4,5) Posso imaginar os amigos (e o paralítico) a pensar; mas nós não viemos por causa disso; o que nos preocupa é o facto de ele ser paralítico…

É claro que Jesus não veio, prioritariamente, para instituir um reino terreno e libertar os judeus e o mundo da sua pobreza material. Ele veio, sobretudo para libertar a humanidade da sua pobreza, da sua miséria espiritual porque essa está na origem de todas as outras misérias.

É porque a maioria dos habitantes dos chamados países ricos estão doentes em termos espirituais que, por exemplo, faz com que eles discutam qual a água que possui melhor sabor; se a que tem sabor a limão, tangerina ou framboesa ou ananás enquanto que muitos seres humanos, nos chamados países pobres, não possuem sequer água potável para beber. É pelo facto da maioria dos habitantes dos países que integram a União Europeia estarem doentes, em termos espirituais, que lemos sobre as preocupações da Comissão Europeia quantos ao que fazer com os excedentes de cereais, lacticínios, legumes e frutos na União, enquanto que milhões morrem no mundo com fome.

Jesus não descura a importância de algumas coisas materiais que necessitamos, mas ele quer que tenhamos prioridades bem direccionadas. Por isso disse: “Buscai PRIMEIRO o reino de Deus e a sua justiça e todas as outras coisas vos serão acrescentadas”.

Se a fartura de coisas materiais nos pudessem transformar em pessoas verdadeiramente felizes então grande parte dos habitantes dos países ricos o seriam mas, pelo contrário, ouvimos cada vez mais falar dos obesos, dos que se atafulham de anti-depressivos, dos que se suicidam, dos se embriagam para esquecer o que nem eles sabem que devem esquecer; os que se drogam pelos mesmos motivos; infelicidade.

E entre os ricos e famosos vemos felicidade? Será que os que esticam a pele para parecerem eternamente jovens revelam felicidade? Reparem no seu sorriso plástico, que apenas colocam perante uma câmara de televisão ou o flash de uma máquina fotográfica…

E quem estica a pele não deve esquecer que isso não os vai impedir de, quando chegar a sua hora, esticarem o pernil…

Jesus mostrou-nos, por palavras e actos, o que deve estar em primeiro lugar. O que realmente merece ser valorizado porque o seu valor é eterno.

Jesus, apesar de em termos materiais ter vivido com tão pouco, era absolutamente feliz. Ele mostrou que a simplicidade clareia a nossa visão levando-nos a ver o que realmente importa, enquanto que a fartura, associada á ganância, apenas nos turba a visão tornando-nos loucos, infelizes e eternamente condenados.

Jesus veio, aparentemente, sem nada mas com capacidade de nos dar aquilo que mais necessitamos: Salvação, vida com sentido, certezas quanto ao presente e futuro e paz.

É por isso que a Bíblia diz que Jesus “Sendo rico por amor de nós se fez pobre para que, pela sua pobreza, enriquecêssemos” (II Cor. 8:9)

Felizmente que João capítulo um, para além do v. 11 também tem o v.12: “ Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus”.
É por isso que a mensagem do Natal é de esperança.

José Carlos Oliveira

 

 

Comunhão

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Comunhão é um dos temas recorrentes para quem tem a agradável incumbência de expor a Palavra de Deus. Há, como regra geral se sabe, a comunhão vertical (comunhão com Deus mediante a fé em Jesus Cristo) e a comunhão horizontal (aquela que devemos manter com aqueles que, como nós, têm comunhão com Deus), ambas dependendo da nossa obediência à vontade divina.

Deus criou os seres humanos à sua semelhança e para a comunhão. Não é sem motivo que, após ter criado o homem, Deus tenha achado que não era bom que ele estivesse só, fazendo-lhe de imediato uma adjutora e determinando que, após a união entre ambos, homem e mulher seriam uma só carne. Daí o casamento.

No que toca à igreja Jesus determinou que “Onde estivessem dois ou três, reunidos em seu nome, ele estaria no meio deles”; ele nunca disse um ou três, porque um só não está obrigado á comunhão que, como se sabe, significa participação em comum, uniformidade, acordo, harmonia; pressupondo que eu tenha que conviver com outra pessoa. É claro que, quer ao nível do casamento quer ao nível da igreja, há muitos que desejam os benefícios sem as responsabilidades. Aqueles que querem desfrutar sem se responsabilizar.

É por isso que, em relação ao casamento, abateu-se uma enorme descrença havendo cada vez mais pessoas a optar por “ajuntar-se”. Os tais dizem: “É preferível juntarmo-nos e se der deu se não der separamo-nos”.

Esquecem-se os tais que, para Deus, o casamento (aquilo que une um homem e uma mulher numa só carne) é o acto sexual, quer haja papéis assinados ou não; quer haja cerimónia religiosas quer não.

Ao nível da igreja temos também os conhecidíssimos “pássaros andantes”. São aqueles que nunca estão bem em lado nenhum; que sempre encontram (se não encontrarem arranjam) problemas que os faz “voar” para outro poiso (leia-se igreja local).

Regra geral são pessoas que julgam ter personalidade forte (na verdade são apenas teimosas) achando sempre que as suas ideias são as melhores e por isso deverão ser sempre aceites. Quando isso não acontece; quando as coisas não funcionam como elas acham que deveriam funcionar “está o caldo entornado”; aí vão elas em busca de uma igreja que (segundo a sua óptica) seja perfeita. Pena é que se levem consigo…

Este tipo de pessoas nunca entende que a comunhão é obrigatória; constitui um desafio e pressupõe adaptação constante. Não entendem, ainda, que á comunhão nenhum salvo (que queira agradar a Deus) pode fugir sem consequências funestas.

Um dos motivos porque muitos crentes abandonam as suas congregações de origem é porque não sabem conviver com as divergências. Eles acham-se tão importantes (apesar de se dizerem os mais humildes) que não podem admitir que alguém divirja deles.

Quando aparece algum crente que ousa divergir é, de imediato, apelidado de pouco espiritual; mundano; inimigo da fé, etc.

Muitas vezes essa atitude “muito espiritual” verifica-se mesmo (e sobretudo) em alguns dirigentes apesar dos mesmos dizerem que nas Assembleias dos “irmãos” há total liberdade, liderança colectiva e sacerdócio comum a todos os salvos. Que bem que se fala entre nós. Mas, por vezes, que mal se vive o que se fala.

É claro que este tipo de crentes parece desconhecer expressões que abundam na Bíblia como: “Cada um considere os outros superiores a si mesmo” ou “suportai-vos uns aos outros” ou ainda “perdoai-vos uns aos outros”.

Pior do que isso parecem desconhecer ainda o que diz Efésios, 4:3 “…procurando diligentemente guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz”.

Mas não pensem que é fácil mostrar a estas pessoas que estão erradas. Se o fazemos já têm o seu “sermão”ensaiado e, se não tivermos cuidado, ainda saímos dali com a “consciência pesada”.

Mesmo assim, ainda que tenhamos a sensação que estamos a “pregar no deserto” não devemos, a exemplo de João Baptista, desistir; ou então quem sofrerá é a comunhão.

 

José Carlos Oliveira

 

Nota de Falecimento

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Faleceu, na vida dos negligentes e frios na fé, a dona "oração", que já estava enferma desde os primeiros séculos da era cristã.

Foi proprietária de grandes avivamentos bíblicos e de grande poder e influência no passado. Os médicos constataram que sua doença foi motivada pela "frieza de coração", devido à falta de circulação do "sangue da fé". Constataram ainda: "dureza de joelhos -não se dobravam mais, "fraqueza de ânimo" e muita falta de boa vontade.

Foi medicada, mas erroneamente, pois lhe deram grandes doses de "teologia da prosperidade", mudando-lhe o regime. O "xarope de reuniões sociais" sufocou-a. Deram-lhe injecções de "dinheiro", para ver se resolvia o problema, mas isso provocou contendas. Tentaram até mesmo introduzir uma sonda para que recebesse novos medicamentos, destes que estão sendo testados em várias cobaias chamadas "igrejas modernas", o que provocou confusão doutrinária, má circulação nas amizades, trazendo ainda rivalidades e ciúmes, principalmente entre os jovens.

Administraram-lhe muitas "programações diferentes", e comprimidos de "inovações". Até cápsulas de "brincadeiras" lhe deram para tomar. RESULTADO: morreu dona "oração"!

A autópsia revelou: falta de alimentação, como "pão da vida", carência de "água viva" e ausência de vida espiritual. Também foi constatado, através de familiares da falecida, que o caso foi agravado pela ausência de costumes simples como a oração pessoal, a participação nas reuniões de oração.

Em sua memória, a vida pessoal dos negligentes, situada na Rua do mundanismo, número 666, estará fechada para as reuniões de quartas e quintas-feiras. Aos domingos, participará de apenas uma reunião de manhã ou à noite, isso quando não houver dias de feriado, recomendando o lazer de sexta a segunda-feira.

Não permita esta cerimónia fúnebre em sua vida.

(Adaptado)

 

Divórcio e novo casamento?

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Há alguns anos escrevi para o jornal Refrigério um texto sobre esta temática. O referido texto, basicamente composto por perguntas, foi comentado por alguns crentes no Sul com a frase: “Eles lá no Norte estão a ficar muito modernistas”.

Modernista ou não, hoje volto à carga com um assunto que é, cada vez mais, um quebra-cabeças para algumas igrejas evangélicas. É que vai longe o tempo em que a separação entre marido e mulher era um problema exclusivo dos católicos ou dos não religiosos.

 Que o desejo de Deus, quando um homem e uma mulher se unem em matrimónio, seja que o façam até que a morte os separe é claro, todos concordaremos. É, de resto, semelhante ao que Deus tem quanto a pecarmos; Ele deseja que não pequemos nunca. Só que entre o que devemos fazer e o que, de facto, fazemos vai uma enorme distância.

Eu penso que a igreja não pode fechar os seus olhos e ouvidos aos gravíssimos casos de violência doméstica. Esses casos existem e, infelizmente, mesmo entre membros de igrejas. Será que, envolvido pelo amor cristão, posso eu aconselhar uma mulher (não importa se cristã ou não) que é consecutivamente agredida, física e verbalmente pelo marido, a que permaneça casada porque “o que Deus ajuntou o homem não pode separar”?

 Posso eu, como obreiro cristão, aconselhar um casal que vive, visivelmente, há anos de costas voltadas (mantendo um casamento de fachada onde já não há nem amor nem diálogo nem coisa nenhuma) que a única coisa que acrescentam diariamente um ao outro é infelicidade, a que se mantenham assim já que, apesar de todas as tentativas de ajuda, tudo se mantém igual?

Poderá alguém, em nome de Cristo, insistir com uma mulher que é atraiçoada consecutivamente pelo marido a que mantenha tudo como está ao abrigo das afirmações bíblicas que conhecemos e que, julgamos nós, estamos a interpretar correctamente?

Bem sei que o caso é mais vasto mas, acreditem, tenho cada vez mais dificuldade em crer que Jesus ficará satisfeito com a fórmula que, quase sempre, a igreja aplica a todos os casos de litígio matrimonial sem sequer admitir que, como noutras situações, há casos e casos.

Sei que o assunto não é fácil mas, insisto, não será tempo de (também neste caso) começarmos a “abrir as janelas”?

 

 

José Carlos Oliveira

 

 

Que dizer?

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Um destes dias, numa igreja evangélica, um jovem veio ter comigo, no final de uma reunião, pedindo-me se poderia falar comigo. Disse-lhe que sim e, isolando-nos um pouco, ele avançou com a sua preocupação.

Tinha conhecido, na escola, uma rapariga por quem começou a sentir alguma simpatia e com quem começou a estudar e a dar alguns passeios. A relação de amizade entre ele e a tal rapariga ia avançando quando, de repente, ela lhe confidenciou que, embora gostasse de o ter como amigo, era lésbica, gostava de outras raparigas. O rapaz, sem esconder a sua frustração com tal descoberta, estava agora preocupado com outra questão. A referida rapariga falou-lhe de outros jovens (rapazes e raparigas) que andavam na mesma escola e que, também eles, eram homossexuais. Por isso o tal jovem (baptizado, membro de uma igreja evangélica) questionava-me se deveria sentir-se  “incomodado” com aquela revelação a ponto de deixar de manter a mesma amizade por aquela rapariga e, por arrastamento, com os seus amigos possuidores das mesmas tendências sexuais.

Ao falar com aquele rapaz não pude deixar de pensar no que se passa dentro da maioria das igrejas evangélicas. Este é apenas um dos muitos problemas com os quais, mais cedo ou mais tarde, teremos de nos confrontar mas, apesar de pressentirmos isto mesmo, parece que nos sabe melhor praticarmos “a política do avestruz” continuando a agir como se os problemas não fossem uma realidade.

Mas aquele rapaz ali estava, olhando-me fixamente, esperando de mim (um pregador) uma resposta que obviamente lhe dei.

 

Recentemente, num acampamento de jovens e quando tinha terminado de dar uma mensagem evangelística, um rapaz veio ter comigo pedindo-me se podia falar comigo. Disse-lhe que sim e, afastados dos restantes jovens, ele foi-me confidenciando a sua situação: Era crente, membro de uma igreja mas, desde há bastante tempo, vinha lutando com um problema de homossexualidade. Rapidamente as lágrimas brotaram dos olhos daquele rapaz que me dizia, soluçando: “Não imagina Zé Carlos o esforço que tenho feito para ignorar a minha tendência sexual que odeio mas que persiste em mim. Tenho orado e jejuado sobre o assunto mas parece que Deus não me ouve…”. Depois de o tentar acalmar e de lhe garantir que a sua revelação era uma manifestação de grande coragem; que o admirava por causa disso e que, acontecesse o que acontecesse, ele sempre iria poder contar com o meu amor cristão e a minha amizade ele perguntou-me, ainda por entre lágrimas: “Se Deus é contra a homossexualidade porque é que não me liberta dela?”


Nesse mesmo acampamento, durante um debate em que os jovens me bombardearam com perguntas, uma menina (descrente) questionou-me sobre o facto de se ter cada vez mais conhecimento de casos em que seres humanos nascem hermafroditas (com os dois sexos) e aquela jovem queria saber se o possuidor de ambos os sexos deve optar apenas por um ou pode utilizar ambos. Caso deva optar apenas por um, a jovem perguntava também, se a pessoa tem liberdade para fazer a escolha...

Perante estes três problemas agora é a minha vez de lançar o repto à comunidade evangélica: Sem os tradicionais “sermõezinhos”, que muitas vezes mais não são do que uma tentativa da nossa parte para fugir ao problema, digam-me o que se poderá e deverá responder a questões como estas? Mais do que isto; o que acham que responderia Jesus?
 

José Carlos Oliveira

 

 

 

É preciso esmagar o boato

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Logo a seguir à revolução do 25 de Abril os cartazes multiplicavam-se como cogumelos e eram, muito mais que hoje em dia, uma forma segura de fazer chegar a mensagem. Havia, por isso, cartazes com todo o tipo de temas: sobre como reconhecer um fascista, sobre a necessidade de desalojar os patrões, a instigar o ódio contra os capitalistas, sobre a necessidade de se matarem as moscas (já que as mesmas propagavam doenças) e sobre a necessidade de não se acreditar nos boatos. Este último, da responsabilidade do MFA (Movimento das Forças Armadas) estava ilustrado com um lagarto, de aspecto asqueroso, sobre o qual estava colocado um pé dentro de uma bota militar e dizia: “É preciso esmagar o boato”.

 

Nessa altura a contra informação era mais que muita sendo quase corriqueiro surgirem apelos à população para que se manifestasse, nas grandes praças distribuídas pelo país, em defesa do regime democrático porque os fascistas estavam de volta.

 

Era também usual nessa altura que alguns oficiais, representando o MFA, fossem de terra em terra com o objectivo de realizarem “sessões de esclarecimento”. Foi numa dessas sessões, transmitida pela RTP, que um aldeão colocou a pergunta: “Porque é que se preocupam tanto com os boatos?”.

O oficial respondeu: “Porque o boato é a arma dos inimigos da democracia”.

 

Pensei nisto, ultimamente, ao ouvir (mais uma vez) de crentes que são vítimas de boatos oriundos de igrejas. Têm origem em crentes (?!) que, ou os inventam ou porque entenderam mal determinada informação, passam o boato adiante como se de um facto se tratasse não se preocupando, sequer, em averiguar primeiro se o tal terá mesmo fundamento. É claro que quando o boato chega aos vários destinatários já não leva essa roupagem, parecendo mais uma notícia fidedigna.


Estas atitudes vão sendo tomadas, um pouco por todo o lado, com a complacência de quase todos. Quando os visados acabam por saber dos boatos que sobre eles circulam (na maior parte dos casos eles próprios são apanhados de surpresa, eu sei do que falo) já os boatos se transformaram em notícias de que ninguém ousa duvidar.

 

Assim sendo vou aqui reproduzir, com a devida vénia, o cartaz do MFA (sem lagarto e bota militar) dirigindo-o à população evangélica: É preciso esmagar o boato. E se me perguntarem porquê eu respondo: “Porque o boato é uma das armas do inimigo de Deus e nosso para prejudicar a vida espiritual dos atingidos e a obra de Deus no seu todo.

 

Esta verdade não será suficiente para que o boato seja, entre nós, esmagado à nascença?

 

José Carlos Oliveira

 

 


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