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O Irmão Sebastião

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Há algum tempo, em determinado lugar, numa igreja evangélica, existiu um irmão de nome Sebastião. Não sabia ler nem escrever; nunca subiu ao púlpito para dirigir a reunião ou pregar; nunca ninguém o ouviu a orar de forma audível e estava sempre mais disposto a ouvir do que a falar. Apesar disso nunca faltava a uma reunião.

 

Na igreja poucos davam por ele. Como residia por perto e dado que a sua honestidade era bem patente, foi-lhe dada a chave do salão e sugerido que ele cumprisse três tarefas: abrir, atempadamente a porta; ligar, de Inverno, o aquecimento um pouco antes da reunião ter início e abrir as janelas durante o verão para que o ar fresco entrasse;  distribuísse (recolhendo-os no fim) os hinários, tarefas que ele sempre cumpriu sem falhar.

 

Apesar disso poucos eram, na igreja, os que davam pela existência do irmão Sebastião. Até que ele ficou doente vindo a falecer.

As pessoas começaram a chegar às reuniões e a porta ainda estava fechada; quando, por fim, chegava um dos responsáveis com chave e abria a porta (no verão) estava um ar abafado porque ninguém tinha aberto as janelas; No Inverno a salão estava sempre gelado e o aquecimento acabava por só aquecer o espaço quando a reunião estava prestes a terminar; não havia hinários nos lugares como habitualmente.

 

Nesta altura todos notaram a falta do irmão Sebastião mas não lhe poderiam dizer o quanto ele era útil para a congregação porque ele já tinha partido para o Senhor a quem, na sua humildade e simplicidade, sempre procurou servir.

 

É trágico que isto se possa passar, ainda hoje, nas nossas congregações. É triste que os crentes não obedeçam à Palavra quando ela nos ensina a reconhecer e a honrar os que nos servem. É lamentável que só possamos dar pela falta do serviço de nossos irmãos quando esse serviço deixa de existir.

 

Na tua congregação passa a olhar ao redor e reconhece aqueles que, mesmo que em tarefas simples, te estão a servir. Fala com eles e elogia-lhes esse trabalho. Lembra-te que nenhuma igreja local poderá existir se depender apenas dos que dirigem, pregam ou cantam.

 

Não esperes que os que te servem morram para depois dizeres: “Como era útil aquele irmão ou irmã”. Nessa altura ele ou ela já não ouvirão.

 

Lembra-te da história, verídica, do irmão Sebastião.

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