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Príncipes e Princesas

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parNo último ano lectivo da Escola Dominical tive a responsabilidade de dar, durante um trimestre, a lição à classe de adolescentes.

Falei-lhes sobre amor, namoro e casamento e iniciei a classe lembrando aquilo que nós somos em Cristo: Filhos de Deus; cidadãos do Céu; santos; irmãos de Jesus Cristo; herdeiros de Deus/co-herdeiros de Cristo; reis e sacerdotes; futuros juízes do mundo, etc. etc.

Com base neste facto lembrei-lhes então que: não devemos permitir que o pecado nos suje e domine sobre nós; não nos devemos identificar com os descrentes no que for incorrecto; não nos devemos sentir inferiores aos descrentes mesmo que (aparentemente) eles nos pareçam superiores (na beleza exterior, nas roupas caras que vestem, nos namorados que têm, nos bens materiais que possam possuir); não devemos deixar que os descrentes nos “enxovalhem”   em termos espirituais; não devemos ter pena de nós próprios e muito menos devemos ser orgulhosos já que o que somos somo-lo pela graça de Deus.

A partir daqui lembrei-lhes que sendo filhos do Rei dos reis, e consequentemente príncipes,  é dessa forma que nos devemos comportar neste mundo sobretudo quando escolhemos aquele com quem vamos namorar e mais tarde, provavelmente, casar.

Espero que os meus queridos alunos tenham fixado a mensagem.

 

 

Empresários do sagrado

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Tratar uma igreja como se uma empresa fosse, para além de ser um insulto a Deus e à Igreja, é um sintoma de doença espiritual. O empresário do sagrado centraliza a sua obra em si próprio, em estratégias de crescimento, métodos organizacionais, objectivos de multiplicação, enfim números (dízimos!). Valoriza muito a imagem, o sucesso, os resultados. Para alcançar os seus objectivos e fazer a "máquina" funcionar, usa todos e tudo. Assistentes, cantores, músicos, membros e visitantes são subalternos e actores da sua agenda e organigrama eclesiástico.
 
Como agravante, os sacros empresários costumam envolver esta materialidade e mundanidade toda com uma capa de espiritualidade balofa. Transmitem a ideia que são líderes especiais, com capacidades sobrenaturais fora do vulgar (que de Deus não tem nada). Ensinam um misticismo vitorioso mas que é baseado no esforço pessoal e "no muito fazer". 
 
C. S. Lewis disse que a recomendação feita a Pedro foi: "Apascenta as minhas ovelhas", e não "faça experiências com as minhas cobaias". Mas estes lideres produzem nos seus cultos uma panóplia de experiências e fabricações emocionais para fazer palpitar e animar a pobre alma dos pobres crentes. Transaccionam "espiritualidade", alegria e emoções, a troco de fartos dízimos e promessas de fé (dinheiro!). 
 
A Igreja, contudo, não é uma empresa ou organização e nem sequer é uma instituição. A Igreja é um Organismo Vivo. Cristo é O Cabeça e os membros, os realmente nascidos de novo e salvos pela graça de Deus, são o seu Corpo. A única Pessoa que faz a Igreja crescer é O próprio Senhor, "e todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar" (Actos 2:47). O único Senhor da Igreja é Cristo. 
 
O ambiente onde este Corpo vivo cresce é permeado de amor, graça, humildade, unidade e sem triunfalismos ufanos. Aos pastores e líderes, exige-se que revirem as suas mesas comerciais e que batam no seu peito, coberto de saco e cinza. E depois sim, apascentem o rebanho com temor e tremor a Deus.
 
"Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas". (João 21:17)
 

 

O Irão, Israel e as t.j.

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O Ministro da defesa iraniano avisou hoje que o seu país destruirá TOTALMENTE o estado de Israel caso os judeus intentem algum ataque contra território iraniano. Esta é uma ameaça que já não surpreende dadas as vezes que é repetida (muitas).

Ao ouvir mais esta ameaça pus-me a pensar que impacto terão estas palavras do general iraniano na comunidade internacional. Lembrei-me que, certamente, para as auto denominadas testemunhas de Jeová estas ameaças nada significam já que, para elas, Israel foi banido para sempre por Deus sendo que o povo escolhido de Deus, agora, são elas (o Israel espiritual)!

Perante a defesa de tal dislate não é de admirar que apliquem a elas mesmas promessas e profecias que têm a haver com Israel, como por exemplo “Os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz” (Salmo 37:11).

Convém lembrar a essa gente arianista que Deus garantiu que a terra prometida seria para a descendência de Abraão (chamada em Isaque) PARA SEMPRE (Gn.13:15). Ora se é para sempre é para sempre!

Mas como seria possível Deus dar aquela terra para sempre a um povo que Ele deveria saber (caso isso fosse verdade) que iria rejeitar para sempre no futuro?

E o ressurgimento de Israel como nação a 14 de Maio de 1948 não significa nada?

E o cumprimento de tantas profecias (como a que é retratada em Ezequiel 37) nada significa?

E o capítulo 11 de Romanos nada significa?

E os fortes indícios de que o templo voltará a ser construído em Jerusalém e que os judeus hão-de trazer os gentios para adorarem juntamente ao Senhor e que o Senhor guiará os povos no reino milenar, isso não significa nada? (Isaías cap. 2)

Porque é que as t.j. haveriam de confundir a igreja com Israel? Para Israel as promessas são materiais e para a igreja as promessas são espirituais. Para Israel aponta-se-lhe a terra para a igreja aponta-se-lhe os lugares celestiais onde, pela fé, já estamos sentados (Ef.1:3 e 2:6)

Segundo a seita apenas 144 mil felizardos, pertencentes (claro está) ao russelismo irão para o Céu, os outros herdarão a terra. Para “provar”  isto citam Apocalipse sete,  sem sequer procurar explicar (de forma plausível) a que tribo israelita cada um dos 144 mil pertence.

O povo de Deus, neste momento, é a igreja de Cristo, o conjunto daqueles que, pela fé, já se reconheceram pecadores e confiaram de todo o coração no único salvador, Jesus Cristo. Um dia, muito em breve creio eu, Jesus Cristo virá arrebatar a igreja e, após a Grande Tribulação, Deus voltará a lidar com Israel que habitará a terra.

Isso é o ensino, claro, da Bíblia. O que dizem as t.j. não faz qualquer sentido.

 

 

Poluição Moral

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Não há muito tempo, conversando eu com alguns amigos sobre a Bíblia (é um hábito que continuo a manter) falávamos sobre o que, para Deus, é casamento.

A maioria deles era adepto (está muito na moda) de que o casamento já não faz sentido. Agora o que se usa é “Juntamo-nos e se der deu, se não der não deu”.

Fazendo-me de “inocente” indaguei: “Mas há sexo?” – Claro “Responderam todos”. Ficaram a seguir de boca aberta quando me ouviram dizer: “Então, perante Deus, Já houve casamento”

Não imaginam a discussão que houve a seguir.

Quando eu, citando a Bíblia, disse que é pela união sexual que homem e mulher se tornam numa só carne (ou seja que o casamento é concretizado) todos me lembraram que então neste mundo muitos têm casado muitas vezes com vários parceiros. Concordei e disse-lhes que é por isso mesmo que o “ambiente moral” está muito pior do que o ambiente atmosférico.

Lembrei-lhes que, no caso do ambiente atmosférico, basta um fogareiro aceso para que quem o acendeu esteja a contribuir para o aquecimento global. Disse-lhes que sabia muito bem que, neste aspecto, há uns que são mais culpados do que outros e que o mesmo se passa em termos de “ambiente moral”. Todos nós, de alguma forma, vamos acendendo os nossos “fogareiros” contribuindo para a degradação.

Não nos queixemos contra o crime para o qual todos, de alguma forma, vamos contribuindo.

 

Uma abordagem interessante...

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Um paciente vai ao consultório de um conhecido psicólogo e diz-lhe:

 
- Todas as vezes que estou na cama, acho que está alguém debaixo da cama.
Nessa altura eu vou para baixo da cama, para ver, e acho que há alguém em cima da cama.
Para baixo, para cima, para baixo, para cima. Estou a ficar maluco doutor!
– Deixe-me tratar de si durante dois anos – diz o psicólogo. Venha três vezes por semana, e eu curo esse problema.
- E quanto é que eu vou pagar por cada sessão? - Pergunta o paciente.
- 80 Euros por sessão – responde o psicólogo
- Bem, eu vou pensar – conclui o sujeito.

 
Passados seis meses, eles encontram-se na rua. - Então porque não apareceu no meu consultório? - Pergunta o psicólogo.
- 80 Euros a consulta, três vezes por semana, dois anos = 12.480 euros, ia ficar-me muito caro.
Além disso encontrei um sujeito num bar que me curou por 20 euros.
- Ah é? Como? - Pergunta o psicólogo.
O sujeito responde: - Por 20 euros ele cortou os pés da cama...

 
Muitas vezes o problema é sério, mas a solução pode ser muito simples!
Pense numa solução, em vez de ficar focado no problema.
(adaptado)

 

Dá que pensar...

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INVERSÃO DE VALORES - CARTA DE UMA MÃE PARA OUTRA MÃE (ASSUNTO VERÍDICO).

*Carta enviada de uma mãe para outra mãe no Porto, após um telejornal da RTP1:


De mãe para mãe...


Cara Senhora,

vi o seu enérgico protesto diante das câmaras de televisão contra a transferência do seu filho, presidiário, das dependências da prisão de Custóias para outra dependência prisional em Lisboa.
Vi-a a queixar-se da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que vai passar a ter para o visitar, bem como de outros inconvenientes decorrentes dessa mesma transferência.

Vi também toda a cobertura que os jornalistas e repórteres deram a este facto, assim como vi que não só você, mas também outras mães na mesma situação, contam com o apoio de Comissões, Órgãos e Entidades de Defesa de Direitos Humanos, etc...


Eu também sou mãe e posso compreender o seu protesto. Quero com ele fazer coro, porque, como verá, também é enorme a distância que me separa do meu filho.

A trabalhar e a ganhar pouco, tenho as mesmas dificuldades e despesas para o visitar.

Com muito sacrifício, só o posso fazer aos domingos porque trabalho (inclusive aos Sábados) para auxiliar no sustento e educação do resto da família.


Se você ainda não percebeu, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou cruelmente num assalto a uma bomba de combustível, onde ele, meu filho, trabalhava durante a noite para pagar os estudos e ajudar a família.


No próximo domingo, enquanto você estiver a abraçar e beijar o seu filho, eu estarei a visitar o meu e a depositar algumas flores na sua humilde campa, num cemitério dos arredores...


Ah! Já me esquecia: Pode ficar tranquila, que o Estado se encarregará de tirar parte do meu magro salário para custear o sustento do seu filho e, de novo, o colchão que ele queimou, pela segunda vez, na cadeia onde se encontrava a cumprir pena, por ser um criminoso.

No cemitério, ou na minha casa, NUNCA apareceu nenhum representante dessas "Entidades" que tanto a confortam, para me dar uma só palavra de conforto ou indicar-me quais "os meus direitos".


Para terminar, ainda como mãe, peço por favor:

Façam circular este manifesto! Talvez se consiga acabar com esta (falta de vergonha) inversão de valores que assola Portugal e não só...


Direitos humanos só deveriam ser para "humanos direitos" !!!

 

Quanta ignorância e falta de misericórdia...

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Todos os que conhecem, minimamente, a Bíblia sabem que nela existem assuntos que não merecem discussão: "É assim e não se discute", e outros nos quais o Espírito Santo dá liberdade de pensamento. Teologicamente chamamos aos primeiros "ASSUNTOS FUNDAMENTAIS" e aos segundos "ASSUNTOS NÃO FUNDAMENTAIS".

 

O problema é que nas igrejas temos sempre aqueles que querem que, mesmo nos assuntos não fundamentais, pensemos como eles pensam. Estes, ao contrário de Paulo que em determinados assuntos admitia que não tinha mandamento do Senhor e dava por isso mesmo o seu parecer (1ª Coríntios 7:25Ora, quanto às virgens, não tenho mandamento do SENHOR; dou, porém, o meu parecer, como quem tem alcançado misericórdia do SENHOR para ser fiel. e 2ª Coríntios 8:10E nisto dou o meu parecer; pois isto convém a vós que, desde o ano passado, começastes; e não foi só praticar, mas também querer.), querem que creiamos que tudo o que pensam é mandamento do Senhor.
 

Este tipo de pessoas não conseguem acompanhar a evolução dos tempos e, incapacitados que estão de contextualizar os assuntos (não fundamentais) com a realidade cultural que se vive em seus dias, fecham-se na sua "concha" e só admitem que lá entre quem subscreva tudo o que eles pensam.
 

Vem isto a propósito do que recentemente ouvi, a respeito do pensamento de alguns sobre dois assuntos: O casamento de um jovem rapaz, cheio de talentos espirituais e capacidade de liderança, que (por causa do seu envolvimento na obra de Deus) ouviu da esposa que, apesar de (quando no namoro) se ter comprometido a ter o mesmo envolvimento, se queixava de falta de atenção por parte do marido e, por isso, recorreu ao "conforto" de um antigo namorado.

 

De repente o rapaz (um bom rapaz e um bom cristão) viu-se ao lado de uma mulher que lhe tinha prometido fidelidade mas que agora, escudando-se na falta de atenção do marido, o atraiçoou. O tal rapaz ainda tentou "recuperar a esposa" vendendo a empresa que tinha por "truta e meia" e mudando-se de região. Tudo em vão.
Resumindo, aquele rapaz, duplamente enganado pela mulher, (ela não o acompanhou, como tinha prometido, no envolvimento na obra de Deus e atraiçoou-o) é agora visado pelos santarrões evangélicos que acham que ele não pode envolver-se na liderança de qualquer projecto cristão. Porquê? Ora, porque ousou voltar a casar-se depois de se ter divorciado.

 

Um jovem rapaz que se vê, de repente, sem mulher deveria, segundo o pensamento desses santarrões, ignorar a sua sexualidade; ou então, se calhar, andar "por aí em aventuras à sucapa". Provavelmente isso seria (para os tais) preferível.
 

Ouvi também da existência de alguns que colocam dúvidas sobre se uma viúva poderá voltar a casar-se...
 

Meu Deus, quanto ignorância e arrogância.
Mas sobretudo quanta falta de misericórdia!

 

Notícias

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Mais importante do que andar por aí a "coar mosquitos" (ou seja a criticar outros por, no nosso entender, não estarem na condição espiritual ideal) e eu sei (ou não fosse jornalista) que isso se vai passando um pouco por todo o lado, era bem mais útil orarmos pelos Irmãos que estão doentes como por exemplo o Ir. Luciano que vai ser operado amanhã (5ª Feira) a um tumor no estômago (vai retirar o estômago e o baço); a neta da Tininha (Eunice) que, pela segunda vez foi operada ao peito e aos intestinos (problemas de cancro) e pelo Pedro Carneiro a "estagiar" em casa depois de uma ruptura de ligamentos no pé.

 
Orem, visitem, apoiem e deixem-se de "coar mosquitos" ou então estão em riscos de "engolir camelos".

 
Preocupem-se em olhar para o vosso viver espiritual e, em relação aos outros, preocupem-se em orar por eles e deixem as critiquices que só atrapalham e nunca ajudam.

 
Sobretudo deixem-se de ser juízes e sejam irmãos de verdade, tendo em atenção a pergunta de Tiago, 4:12 "...tu porém quem és para julgar os outros?"

P.S. O Irmão Luciano já foi operado. A cirurgia correu bem. Devemos continuar a orar


Última hora: O irmão da irmã Zulmira (que estava com problemas graves de cancro) faleceu e é hoje (Sábado 19) o funeral em Tadim pelas 19,30.

 

Ateu "Converte-se"

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Tendo sido um reputado ateu com base na razão, o filósofo Anthony Flew defende agora que, precisamente com base na razão, foi levado a concluir que Deus existe.

Anthony Garrard Newton Flew (11 de Fevereiro de 1923 – 8 de Abril de 2010)

Como o ateu mais conhecido do mundo mudou de opinião": este é o subtítulo de um livro recente do professor Anthony Flew ("There Is a God: How the World's most Notorious Atheist Changed His Mind", 2007/2008). Não posso avaliar se ele era ou não o ateu mais conhecido do mundo, mas era seguramente bastante conhecido.

TEOLOGIA E FALSIFICAÇÃO

Em 1950, numa sessão do Oxford University Socratic Club, presidida por C. S. Lewis, Flew apresentara uma comunicação que ficou famosa: "Theology and Falsification". A tese era inspirada na teoria da refutação de Karl Popper e pretendia excluir a hipótese de existência de Deus com base no argumento de que essa hipótese não era susceptível de refutação (Popper, diga-se de passagem, nunca subscreveu esse argumento de Flew). Mais tarde, Flew desenvolveria o argumento em dois livros com bastante sucesso: "God and Philosophy" e "The Presumption of Atheism".

Durante mais de 50 anos, Anthony Flew foi sem dúvida um influente crítico da religião, bem como um filósofo respeitado, que ensinou em Oxford, Reading, Keele e Aberdeen. O anúncio público da sua conversão, em 2004, criou de facto um certo furor, sobretudo no mundo de língua inglesa. Embora muitos outros filósofos e cientistas tenham ultimamente escrito em defesa da existência de Deus, o caso de Flew assume no entanto um interesse especial.

Tendo sido um reputado ateu com base na razão, agora defende que, precisamente com base na razão, foi levado a concluir que Deus existe.

EM NOME DA RAZÃO

"Agora acredito", escreve Anthony Flew, "que o universo foi trazido à existência por uma Inteligência infinita. Acredito que as intricadas leis deste universo manifestam aquilo que os cientistas têm chamado a Mente de Deus. Acredito que a vida e a reprodução têm origem numa Fonte divina." (p. 88)

Como explicar estas novas convicções de Anthony Flew, quando ele passara 50 anos a defender o contrário? A resposta é simples, diz o autor: "Esta é a visão do mundo que emerge da ciência moderna. A ciência destaca três dimensões da natureza que apontam para Deus. A primeira reside no facto de a natureza obedecer a leis. A segunda é a dimensão da vida, de seres inteligentemente organizados e que se dirigem por propósitos, que emerge da matéria. A terceira é a própria existência da natureza." (p. 89)

ABERTURA RACIONAL

Não se trata de uma mudança de paradigma, explica Anthony Flew, porque o seu paradigma continua o mesmo, ditado por Sócrates: "seguir o argumento [racional], onde quer que ele leve".

Uma questão relativamente óbvia emerge desta explicação. Se Anthony Flew sempre se pautou pelo mesmo princípio - seguir o argumento racional, onde quer que ele leve -, por que razão não foi conduzido antes à hipótese de Deus? A resposta é interessante: porque, explica ele, o seu entendimento de razão não era suficientemente aberto a todas as hipóteses explicativas para a grande pergunta "por que razão existe alguma coisa em vez de nada?".

UMA PARÁBOLA

Comecemos com uma parábola, propõe Anthony Flew. Imaginemos que um telefone por satélite aparece numa ilha habitada por uma tribo que nunca teve contacto com a civilização.

Os nativos carregam ao acaso nas teclas e ouvem diferentes vozes humanas após digitarem algumas sequências. Assumem que é o instrumento que produz aquelas vozes.

Surge então um membro solitário da tribo que diverge dos outros. Este propõe outra hipótese:

o aparelho está basicamente a comunicar com outros seres humanos, que existem para lá dos limites estreitos da única ilha que a tribo conhece. A tribo responde com uma gargalhada geral:

isso é pura superstição. Basta ver que, uma vez destruído o aparelho, as vozes deixam de se ouvir. Logo, as vozes são produto do aparelho.

FACTOS E PRECONCEITOS

Este é um exemplo, diz Anthony Flew, de como ideias preconcebidas dão forma aos dados empíricos, em vez de se deixarem desafiar pelos dados empíricos. Algo semelhante acontece quando os ateus (como era o seu próprio caso) dizem que "não devemos procurar uma explicação para a existência do mundo, ele simplesmente existe". Ou quando "porque não podemos aceitar uma fonte transcendente da vida, simplesmente escolhemos acreditar no impossível: que a vida emergiu espontaneamente e por acidente da matéria". Ou ainda que "as leis da física são 'leis sem lei' que emergem do vazio" (pp. 85-87).

Publicado em 17 de Abril de 2010 in Jornal i por João Carlos Espada

 

Salvação segundo Deus

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Ontem, no final da reunião, uma jovem senhora quis falar comigo a propósito da mensagem. Foi convidada por uma amiga (membro da igreja) e ficou incomodadíssima por me ter ouvido dizer que a salvação é pela graça mediante a fé sem as obras.
 
Perguntou-me, sem disfarçar o seu incómodo, se eu achava que se tem de ser mau para se ser salvo. Eu lembrei-lhe que há apenas um que é bom, Deus, e que todos os seres humanos são maus.
 
A senhora não desarmou e fez-me ver que, apesar de todos sermos maus, uns são piores do que outros. Eu perguntei-lhe qual era a forma de ela aferir isso e se não achava que, ao considerar-se melhor que os outros, não estava já a cometer o pecado do orgulho.
 
Ela compreendeu mas, mesmo assim, insistia na tese de que quem procura fazer o bem, como era o caso dela, Deus deveria levar isso em conta.
 
Expliquei-lhe que Deus tem apenas um método de salvação. Ele não possui um supermercado com vários métodos à escolha. Não tem um para ricos, um para pobres, um para os mais cultos, um para os menos cultos, um para os bonzinhos e religiosos e outro para quem, aos olhos da sociedade, é manifestamente mau.
 
Lembrei-lhe as palavras de Paulo: Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie”. E as de Pedro: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”.
 
Lembrei-lhe ainda que, segundo João: “Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigénito Filho de Deus”.
 
Finalmente lembrei-lhe que somos nós que nos temos que sujeitar às regras de Deus e não Ele às nossas. Ele é soberano e nós somos pecadores.
 
Aquela senhora, que gosta de ler quis também saber porque é que na Bíblia há tantas descrições de violência e eu respondi-lhe com o exemplo de David. A Bíblia, lembrei-lhe, não apenas contas os seus sucessos; também não esconde que em determinada altura aquele homem escolhido por Deus cometeu adultério e para ocultar o facto mandou assassinar o marido da mulher com que adulterou. Acrescentei que é também por isto que levo a Bíblia a sério.
 

Depois a jovem senhora quis saber como é que se recebe a Jesus e eu expliquei-lhe o que tinha acontecido comigo. Recordei-lhe João,1:12Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; e Apocalipse 3:20Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo..

Notei que a cada pergunta que eu respondia ela reagia com mais duas ou três. Prometeu voltar e eu prometi que iria orar por ela.
 
Mas, mais uma vez notei, como é difícil fazer passar a mensagem de que a Salvação tem de ser segundo Deus. Pela graça mediante a fé e sem obras.
 

Programa especial da Páscoa

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Já decorreu e, graças ao bom Deus, com o brilho habitual. Em nome da igreja quero, como sempre, agradecer o empenhamento de todos, muito especialmente dos jovens (incluindo a líder Lídia, o Manel, o João Paulo e o Luís).
Muito apreciada foi a participação de Paredes e Lousada. Os nossos irmãos estão de parabéns.
Alegramo-nos pelo facto de, cremos nós, Deus ter sido glorificado e os muitos amigos que nos visitaram terem ouvido o Evangelho.
A Igreja foi também edificada.

A Deus toda a glória

 

Pequenas coisas Grandes coisas

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Se nos lembrarmos da torre de Babel que a humanidade, em má hora, tentou outrora construir e se tivermos em conta o que podemos ler em Zacarias, 4:10Porque, quem despreza o dia das coisas pequenas? Pois esses sete se alegrarão, vendo o prumo na mão de Zorobabel; esses são os sete olhos do SENHOR, que percorrem por toda a terra. e em Cantares, 2:15Apanhai-me as raposas, as raposinhas, que devastam os vinhedos, porque as nossas vinhas estão em flor. seremos levados a concluir que as coisas pequenas, para o bem e para o mal, não devem ser desprezadas.

 

Para o mal aquela torre, que por intervenção de Deus não chegou a ser completada, embora grandiosa foi feita a partir de pequenos tijolos.
No mesmo sentido o livro de Cantares lembra-nos que as raposas já tinham sido raposinhas; foi de resto dessa forma que conseguiram entrar nas vinhas e isto para que pensemos que, para o mal, são as pequenas coisas que originam as grandes.
 

Não praticamos sexo indevido (e fazemos bem) mas falamos mal uns dos outros, excluímos aqueles de quem menos gostamos, não perdoamos, não respeitamos as ideias dos outros, somos orgulhosos, semeamos a discórdia e pensamos que tudo isto é menos grave; que são coisas pequenas esquecendo a enormidade que o acumular dessas coisas provoca.
 
Os israelitas foram convidados por Zacarias a não desprezarem as coisas pequenas. Para o bem tendemos a pensar que o mais importante são as grandes campanhas desvalorizando o testemunho pessoal; envolvemo-nos em grandes projectos espirituais mas esquecemos as iniciativas da igreja local; valorizamos o estar na frente mas desprezamos a preparação espiritual. (verifico isso em muitas igrejas que visito; os jovens chegam ao salão quando já decorre a reunião de Ceia do Senhor, na qual não participam, e quando a porta se abre eles entram, encaminham-se para a frente e pegando dos instrumentos musicais lá estão eles a dirigir o louvor. Nada de se sentarem em oração, nada de se certificarem se estão espiritualmente preparados para a tarefa) participamos em grandes conferências mas desprezamos os momentos a sós com Deus; Estamos tão preocupados com a obra que nos esquecemos dos obreiros, não atentando nos nossos irmãos para procurarmos ser um estímulo para eles. Por isso se eles estão tristes nem reparamos; querem falar connosco mas não temos tempo; faltam às reuniões mas isso não nos incomoda; ficam doentes ou são hospitalizados mas não os visitamos.
Não reconhecemos, e agradecemos, o trabalho de quem nos serve estando, pelo contrário, sempre dispostos a criticar.
 
Por fim, quando as coisas correm mal na igreja (como poderiam correr bem?) apontamos o dedo em todas as direcções menos na nossa.
 
É bom que não esqueçamos que, para o bem e para o mal, não devemos desprezar as coisas pequenas.
 

Antinomianismo

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O antinomianismo, doutrina herética criada em 1537 muito ligada com o gnosticismo, defende que desde que o crente tenha as crenças correctas a forma como vive é irrelevante. Obviamente que todo o cristão consciente condenará, de forma radical, tal heresia.

Foi por isso com estupefacção que descobri, através de um pequeno livro (Caminhos para o Poder) que me foi enviado pelo Núcleo, que o consagrado escritor e teólogo A.W.Tozer comparava (de alguma forma) todos os que dizendo que a salvação é apenas pela graça mediante a fé e que as obras não têm lugar na salvação, (sendo que o pecado ficou resolvido na cruz) aos que fazem tal afirmação herética.

 

Ora tal não faz sentido.

Eu sou daqueles que acredito desta forma. Baseio-me, de resto, em Efésios 2:8,9 embora seja daqueles que não desconhece a existência do verso 10 (Fomos criados para as boas obras).

 

Mas vamos por partes:

A salvação de cada ser humano é conseguida pela fé na obra que, pela graça de Deus, o Senhor Jesus Cristo realizou na cruz. Quando eu reconheço os meus pecados e abro o meu coração para Jesus, reconhecendo-o e recebendo-o como Senhor e Salvador, passo da condição de perdido para a de salvo; da condição de morto em delitos e pecados para a de vivo em Cristo; das trevas para a maravilhosa luz de Cristo.

 

Essa posição permanece PARA SEMPRE sem que eu tenha feito qualquer outra obra para além de crer em Jesus Cristo. O problema do pecado, que me condenava eternamente, ficou resolvido na cruz.

Agora que sou salvo PARA SEMPRE; agora que recebi de Deus uma nova natureza, é natural que eu passe, de forma gradual, a corresponder (em acções) à nova posição espiritual que possuo. É natural que o pecado passe a ser, na minha vida, acidental e não prática constante.

  

Contudo a verdade é que ainda falho. É facto que ainda não sou perfeito. É indesmentível que ainda peco. Será que, por causa disso, devo por em dúvida a minha salvação? Será que me devo conformar com o ensino daqueles evangélicos (ao que parece A.W.Tozer incluído) que para ser salvo devo, para além de crer em Cristo, ser firme e fiel até à morte?

Se assim fosse então eu devo duvidar das afirmações de Paulo em Efésios 2:8,9 e desconfiar do que é afirmado em Romanos capítulo 8 ou mesmo não levar muito a sério o que Jesus afirmou em João 10:27,28. Se isso fosse verdade então eu deveria descrer de algumas grandes afirmações saídas da reforma protestante: “Somente a Bíblia; somente Cristo, somente a Graça; somente a Fé”.

 

É que se eu tiver, para ser salvo, de depender também da minha firmeza de fé e fidelidade, então a salvação também é por obras e, nesta parte, o catolicismo está certo.

 

Nisso, que me desculpe a memória de Tozer, não creio.

Eu sei que devo fazer boas obras; sei que a vontade de Deus para a minha vida é que eu seja santo e não viva em pecado; sei que devo ser firme na fé e que devo ao meu Salvador e Senhor total fidelidade, mas não para ser salvo e sim porque já estou salvo. Crer desta forma não é, de forma alguma, ser antinomiano.

 

Outra questão abordada pelo famoso teólogo, claro, é a questão do Espírito Santo. E lá vem a ideia gasta de que precisamos de consecutivos derramamentos do Espírito Santo sobre a igreja e sobre cada crente individualmente. Confunde o reputado teólogo duas coisas, quanto a mim, distintas: o encher-se com o Espírito com o derramar do Espírito.

No primeiro caso, creio eu, é algo que a igreja (e cada crente) precisa fazer diariamente mas no segundo, penso eu, foi um acontecimento que já teve lugar e não há motivo para que se repita.

Convém lembrar que A.W. Tozer, como outros grandes homens de Deus, não é um homem inspirado mas apenas um homem iluminado. O que eles defendem baseia-se na sua interpretação daquilo que homens inspirados por Deus, outrora, escreveram.

Os inspirados estão sempre certos os iluminados nem sempre. Somos obrigados a aceitar sem questionar os primeiros mas não os segundos. Estes últimos devem apenas ser respeitados nas opiniões que tiveram, tenham ou venham a ter. 

 

Individualismo

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Embora pareça uma “verdade de La Palice” nunca deve deixar de referir-se que na obra de Deus não há lugar para o individualismo apesar de, por vezes, todos termos tendência para tentar que haja.

A igreja (local) compõe-se de, pelo menos, dois ou três e isso anula de imediato que haja lugar para que cada um dos membros se considere merecedor de toda a atenção em detrimento dos outros. Essa tendência, mesmo que disfarçada de puro desejo de fazer a obra avançar, recebe sempre o seu “balde de água fria” quando é lembrado que, na igreja, cada um deve considerar os outros superiores a si mesmo.

Na prática a tendência para nos tornarmos individualistas manifesta-se em querermos ser mais ouvidos do que ouvir os outros; em acharmos que a nossa ideia deve ser sempre preferida; em achar que a nossa razão é sempre a mais razoável; em estranharmos que as pessoas não vivam de acordo com a nossa maneira de pensar; em ficar amuados e fazer birra quando estes (e outros) pressupostos não são tidos em conta.

 

Ao agirmos assim, desgraçadamente, não nos apercebemos do mal que estamos a fazer à obra que tanto dizemos desejar proteger.

É tempo de acordarmos desse sono egoísta e deixarmos de nos “concentrar na árvore perdendo de vista a floresta”. De nos cingirmos à nossa insignificância (somos apenas pecadores perdoados pela Graça de Deus) e de nos escondermos atrás da cruz de Cristo.

 

É urgente que TODOS os membros das igrejas locais entendam que o centro de suas vidas pertence a Cristo e não a eles mesmos.

É imperativo que quem assim não proceda seja, com amor, admoestado e não entronizado nos púlpitos de onde, de resto, procurarão instilar nos outros o veneno do individualismo “dando á luz” discípulos também eles capazes de continuarem nessa trágica cruzada.

 

É que, como alguém disse, para que o mal avance é apenas necessário que quem o reconhece se cale. 

 

 

SOS HAITI - APELO A TODOS CRISTÃOS

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A Aliança Evangélica Mundial (WEA), um dos patronos do Desafio MIQUEIAS, lançou um apelo à comunidade de 420 milhões de cristãos espalhados por 130 nações para que se envolvam em oração e ajuda financeira com o povo do Haiti. O Dr Tunnicliffe, Director Internacional da WEA, fez um apelo ao coração dos cristãos

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O Meu Pai

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Hoje, dia 19 de Março, o mundo comemorou o dia do Pai e eu, apesar de ter perdido o meu com apenas onze anos, lembrei-me mais uma vez dele. Homem de trabalho, de acção; pela defesa da sua família era capaz de quase tudo. Para sustentar os filhos (dos dez nascidos apenas sobreviveriam seis) trabalhava, juntamente com a minha mãe, de sol a sol na lavoura mas dadas as circunstâncias da altura (tinha de cultivar as terras mas a maior parte dos produtos tinha de ser entregue aos donos) cedo verificou que por ali não ia a lado nenhum. Rapidamente enveredou pela profissão de mineiro trabalhando em vários locais do país, sobretudo nas minas da Borralha. As condições de trabalho (nomeadamente ao nível da segurança) eram nenhumas mas mesmo assim era difícil encontrar onde trabalhar.

Certa altura em que deixou de ter trabalho, e depois de ter tentado tudo para encontrar uma alternativa, regressou a casa desanimado e extenuado. Quando à noitinha estava por de trás da casa ouviu os meus irmãos a pedir pão à minha mãe e reparou que ela ignorava os seus pedidos já que o não tinha para lhes dar.
Mesmo assim cansado não entrou em casa e, sem dar a conhecer a sua presença, regressou para de onde tinha vindo, andando toda aquela noite por montes e vales, para no dia seguinte voltar a procurar onde trabalhar.

Era um homem alto e corpulento. A sua fama de lutador (nomeadamente no chamado jogo do pau) era reconhecida lá na terra, sendo conhecido por “o da pinta” (por causa de uma mancha vermelha que tinha no rosto). Quando havia barulho as pessoas não chamavam o regedor mas sim o meu Pai. Ele aproximava-se dos zaragateiros e dizia: “Isto é para acabar a bem ou a mal?”. Se eles parassem por ali ele mandava cada um para sua casa e tudo ficava resolvido; se o não fizessem batia em ambos e resolvia-se o assunto dessa forma.

Apesar de ser tão combativo, dificilmente haveria entre os homens alguém que amasse mais a sua família e que se importasse tanto com as necessidades dos outros. Homem respeitado também pela sua honestidade, acabaria por se afastar da igreja católica por causa de uma grande injustiça cometido pelo sacerdote da aldeia que se recusou a entrar com o compasso em minha casa, pela Páscoa, apenas porque o meu Pai não teve dinheiro para pagar o que era devido ao padre. A partir daí deixou de entrar na igreja e, quando a minha mãe rezava o terço em casa com os filhos, ele dormia dizendo que se recusava a “rezar por conta”. Dizia ele que “quem rezava por conta (as contas do rosário) desconfiava de Deus”.

Tinha pouca paciência para quem andasse devagar. Sempre que íamos a algum lado estava sempre a pedir-nos que “deixássemos andar as pernas”. Se me segurava pela mão eu sentia-me seguro, apesar de (literalmente) arrastado.
Só me bateu por três vezes e sempre com muita justiça mas ainda hoje me consigo lembrar da sua mão, grande e calejada, a cair-me em cima.

Por causa da vida que teve (trabalhando nas minas sem qualquer máscara) acabaria por morrer aos 56 anos vitimado pelo pó que entretanto se lhe acumulou nos pulmões.

Alguns anos antes de morrer, já bastante doente e com quase todos os filhos a trabalhar no Porto e Matosinhos, lembro-me de o ouvir dizer: “Quando tinha saúde e apetite não tinha o que comer agora que os meus filhos me mandam tanta coisa não tenho saúde nem apetite”.

Entre muitas recordo aqui duas vivas memórias que guardo dele (uma triste e outra alegre) uma têm a haver com as duas vezes em que vi o meu pai chorar. Na primeira as suas lágrimas foram motivadas pelo não comparecimento dos meus irmãos (como estava combinado) a uma ceia de Natal e a segunda quando o meu irmão Alfredo foi para o serviço militar; esta última, explicava o meu pai, teve a haver com o facto do Alfredo ser muito impulsivo e ele achar que, por isso, se ia dar mal por lá.

Quanto à alegre é a lembrança que tenho de uma noite de Natal em que todos os meus irmãos compareceram e ele, sentado no “preguiceiro” (banco de madeira semelhante a um sofá) assistia feliz, com um sorriso de orelha a orelha.
Ainda viveu a tempo de ver chegar o telefone lá à aldeia e, quando fez uma visita rápida aos meus irmãos em Matosinhos, chegou a ver televisão a preto e branco. Apesar de não saber ler nem escrever aceitava muito bem o que de moderno ia aparecendo. Só não apreciava muito quando as minhas irmãs vestiam (era a moda da altura) saias travadas que ele chamada de “saias de passareca”.

Que pena que o meu Pai tivesse vivido naquele tempo; que apenas tivesse conhecido um neto e não pudesse acompanhar por algum tempo os melhores momentos da vida dos seus filhos. Que pena que ele não tenha tido a oportunidade de conhecer o Evangelho que, estou certo, ele abraçaria rápidamente.

Mas, acreditem, o seu exemplo ficou e continuo a sentir pela sua memória um enorme respeito e saudade.

 

E na Tempestade?

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Certa companhia de navegação, em reunião de direcção, concluiu que era tempo de começar a modernizar a tripulação do melhor dos seus navios. Abriu por isso concurso para marinheiros exigindo, como habilitações, que tivessem (no mínimo) o 12º ano e, sobretudo, prática em informática.

 

Não faltaram concorrentes e, por fim, escolheram dois dos candidatos. Eram sem dúvida recomendáveis já que, para além de serem engenheiros, faziam dos computadores “gato-sapato”.

Quando chegaram ao navio aqueles dois marinheiros olharam de soslaio para o resto da tripulação; eram homens rudes que “pontapeavam a gramática” e que dos livros pouco sabiam e dos computadores ainda menos.

 

Os dois engenheiros novatos achavam-se os maiores e o comandante do navio, também ele pouco experiente e instruído pelas chefias, “estendeu-lhes o tapete vermelho” passando a consultá-los para tudo e a desprezar, de alguma forma, os homens rudes e iletrados.

 

Era assim que a vida no navio se ia desenrolando até ao dia em que, em determinada zona, foram surpreendidos por uma enorme tempestade. Os ventos fustigavam o navio parecendo vir de todos os lados; as ondas alterosas não davam descanso à embarcação; os relâmpagos e trovões pareciam anunciar o fim trágico daquele precioso navio e sua tripulação.

 

O comandante, preocupado, bem procurou os dois marinheiros recentemente contratados mas estes, amedrontados, estavam escondidos em local incerto. Foram então chamados alguns dos homens rudes, (os tais que foram olhados de soslaio pelos dois engenheiros e profundos conhecedores de informática) mas “licenciados na universidade da vida e doutorados em como enfrentar tempestades”. Foram estes e não os outros que souberam como agir naquele momento de aflição.

 

Quando a tempestade amainou os dois novatos apareceram (sabe-se lá vindos de onde) e estenderam a mão para os homens rudes que não regatearam o seu perdão. O próprio comandante foi compelido a reconhecer o seu erro e garantiu que, a partir daquele momento, todos seriam consultados naquele navio quer fossem ou não engenheiros. O mais velho daqueles homens rude não deixou de lembra que as coisas funcionam melhor quando a inovação e a experiência andam de mãos dadas.

 

Uma lição importante para que se pratique nas igrejas locais.

 

O Irmão Sebastião

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Há algum tempo, em determinado lugar, numa igreja evangélica, existiu um irmão de nome Sebastião. Não sabia ler nem escrever; nunca subiu ao púlpito para dirigir a reunião ou pregar; nunca ninguém o ouviu a orar de forma audível e estava sempre mais disposto a ouvir do que a falar. Apesar disso nunca faltava a uma reunião.

 

Na igreja poucos davam por ele. Como residia por perto e dado que a sua honestidade era bem patente, foi-lhe dada a chave do salão e sugerido que ele cumprisse três tarefas: abrir, atempadamente a porta; ligar, de Inverno, o aquecimento um pouco antes da reunião ter início e abrir as janelas durante o verão para que o ar fresco entrasse;  distribuísse (recolhendo-os no fim) os hinários, tarefas que ele sempre cumpriu sem falhar.

 

Apesar disso poucos eram, na igreja, os que davam pela existência do irmão Sebastião. Até que ele ficou doente vindo a falecer.

As pessoas começaram a chegar às reuniões e a porta ainda estava fechada; quando, por fim, chegava um dos responsáveis com chave e abria a porta (no verão) estava um ar abafado porque ninguém tinha aberto as janelas; No Inverno a salão estava sempre gelado e o aquecimento acabava por só aquecer o espaço quando a reunião estava prestes a terminar; não havia hinários nos lugares como habitualmente.

 

Nesta altura todos notaram a falta do irmão Sebastião mas não lhe poderiam dizer o quanto ele era útil para a congregação porque ele já tinha partido para o Senhor a quem, na sua humildade e simplicidade, sempre procurou servir.

 

É trágico que isto se possa passar, ainda hoje, nas nossas congregações. É triste que os crentes não obedeçam à Palavra quando ela nos ensina a reconhecer e a honrar os que nos servem. É lamentável que só possamos dar pela falta do serviço de nossos irmãos quando esse serviço deixa de existir.

 

Na tua congregação passa a olhar ao redor e reconhece aqueles que, mesmo que em tarefas simples, te estão a servir. Fala com eles e elogia-lhes esse trabalho. Lembra-te que nenhuma igreja local poderá existir se depender apenas dos que dirigem, pregam ou cantam.

 

Não esperes que os que te servem morram para depois dizeres: “Como era útil aquele irmão ou irmã”. Nessa altura ele ou ela já não ouvirão.

 

Lembra-te da história, verídica, do irmão Sebastião.

 

Transformando uma tragédia numa oportunidade

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Todos sabemos que, recentemente, o nosso irmão Armindo Costa perdeu, num estúpido acidente de atropelamento, a sua esposa Perpétua. Como se calcula foram (e são ainda) momentos difíceis de suportar. É claro que atenua saber-se que ela está com o Senhor mas não é menos verdade que não está connosco. Não está, sobretudo, com o Armindo, com a mãe e com os filhos. A alegria que ela desfruta já (e a que, pela fé, nos invade) contrasta com a tristeza pela separação, até porque o Armindo e a Perpétua estavam casados há mais de 30 anos(eu fui ao casamento e celebrei as suas bodas de prata) e andavam sempre juntos, tornando a separação ainda mais evidente.

É por tudo isso digno de nota que, apesar de todo o sofrimento, o nosso irmão Armindo anunciou na sua igreja local (no passado Domingo) que já estava em contacto com a senhora que prestou à Perpétua os primeiros cuidados mas também com o homem que a atropelou. E, fez questão de ressalvar, não para retaliar mas sim para lhe oferecer uma Bíblia porque, lembrou, ele também deve estar a sofrer. Pediu depois à igreja orações por esse homem...

Sentado no meu lugar não pude impedir que, por breves momentos, as lágrimas me ofuscassem a visão passando a olhar para aquele rapaz, que conheço há tantos anos, ainda com mais admiração.

Chama-se a isto transformar uma tragédia numa oportunidade.

Que Deus possa abençoar este esforço são as minhas orações.

 

Jantar de reis

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Mesas
Aconteceu na Igreja Evangélica de Leça da Palmeira mais um jantar de reis. E porquê? Porque os membros da Igreja gostam de confraternizar! Mas porque é que o jantar é de reis? Porque, de acordo com a Bíblia, todos quantos já creram em Jesus Cristo são filhos do Rei do universo e um dia vão reinar com Ele...
Continuar...
 


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